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Endividamento caiu em setembro, mas 1 em cada 8 não tem como quitar: o que fazer

Equipe · 13 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

O que o número de setembro diz (e o que ele esconde)

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), trouxe em setembro de 2026 a primeira queda do endividamento das famílias no ano: a parcela com dívidas a vencer recuou de 82% para 81,7%. A inadimplência, que mede quem tem alguma parcela em atraso, também cedeu, de 29,9% para 29,6%.

Lida rápido, a manchete parece alívio. Lida devagar, ela conta outra história. O número de famílias que admitem não ter condições de quitar as dívidas atrasadas ficou parado em 12,5%, ou seja, cerca de uma em cada oito. E a comparação anual ainda é ruim: em setembro do ano passado, eram 79,2% de endividados e 30,5% de inadimplentes.

Menos gente está entrando na dívida, mas quem já está nela continua preso, e uma parte relevante não enxerga saída pelo orçamento do mês.

Se você está nesse grupo, o problema raramente é só falta de dinheiro. É falta de ordem.

Por que "cortar gasto" trava nesse ponto

Quando o orçamento aperta, a reação natural é cortar tudo o que parece supérfluo. Isso ajuda por um mês e trava no segundo, por dois motivos simples.

O primeiro é que nem todo corte reduz a fatura. Telefone, internet e escola não caem de preço porque você usou menos. O corte precisa mirar o que realmente pesa: a parcela que já venceu, o rotativo do cartão, o empréstimo com juros mais caro.

O segundo é que, sem ordem, o pouco dinheiro se espalha. Pagar um pouco de cada boleto atrasado não zera nenhum e ainda deixa todos acumulando juros. É aí que a família sente que paga e não sai do lugar.

O caminho que funciona é o inverso: primeiro organizar, depois priorizar, só então negociar.

O plano em quatro passos

1. Separe dívida de despesa

Liste, em uma folha só, cada dívida com quatro informações: valor total, parcela do mês, quanto está atrasado e qual o juro. Deixe de fora as contas do mês que não venceram. A lista de dívidas é curta; a de despesas é rotina.

2. Marque o que ameaça o essencial

Água, luz, gás e o aluguel vêm antes de qualquer dívida de consumo. Corte de serviço essencial gera multa, religação e, no limite, perda do imóvel, um problema maior que o atraso original.

3. Ache o dinheiro que sobra (mesmo apertado)

Some a renda fixa do mês e subtraia o essencial mais o custo de viver (mercado, transporte, remédio). O que sobrar é o seu teto de acordo: nenhuma negociação pode pedir mais do que isso, ou você reabre o ciclo de atraso no mês seguinte.

4. Negocie por grupos, não dívida por dívida

Ataca primeiro as dívidas pequenas e antigas, que quitam rápido e limpam o nome. Em seguida, as de juro mais alto, onde cada mês de atraso custa mais caro. As maiores e mais recentes, que costumam ter desconto maior, entram por último, quando você já tem margem.

Antes de fechar qualquer acordo, confira três coisas: o valor total com juros embutidos, o número exato de parcelas e se a primeira parcela cabe no seu mês atual, não no mês ideal.

Negociar é reduzir, não aumentar o esforço

Um acordo bom não é o de maior desconto no papel. É o que você consegue pagar até o fim. Um parcelamento com desconto de 60% que não fecha no fim do mês vira nova dívida em três meses, agora com o nome já negativado de novo.

Se houver mais de uma dívida, vale começar por aquela cujo credor oferece condições realistas de parcela, e não pela que grita mais alto. Feita a lista, o essencial do mês e o teto de acordo, negociar deixa de ser improviso e passa a ser uma conta.

Fontes

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