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Rotativo a 444,9% ao ano: por que a fatura do cartão não pode mais que dobrar

Equipe · 17 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Poucas linhas do orçamento doméstico assustam tanto quanto a fatura do cartão de crédito. E o motivo tem número: em agosto de 2026, o juro médio do rotativo do cartão chegou a 444,9% ao ano, segundo as estatísticas do Banco Central divulgadas na imprensa. É a modalidade de crédito mais cara do sistema financeiro brasileiro.

Só que existe um freio. Desde janeiro de 2024, os encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida. Na prática, o que você deve no cartão não pode virar mais que o dobro. Este guia explica o que isso muda para quem está no rotativo agora, o que conferir na fatura e qual é o caminho mais racional para sair dele.

O que é o rotativo e por que ele é tão caro

Rotativo é o nome do crédito automático que o banco te dá quando você paga só uma parte da fatura. O restante não fica em espera: passa a render juros altíssimos, calculados mês a mês sobre o saldo devedor. Como os juros incidem sobre juros, a dívida cresce mais rápido do que a maioria das pessoas imagina.

Um detalhe que muita gente não sabe é que existem duas taxas diferentes circulando. A do rotativo, quando você paga abaixo do mínimo ou exatamente o mínimo, e a do parcelado da fatura, quando o banco parcelas o saldo. Em agosto, o rotativo estava em 444,9% ao ano e o parcelado em 192,1%, ou seja, o parcelamento é caro, mas custa menos que ficar no rotativo. O juro médio total do cartão, somando as duas modalidades, ficou em 97,8% ao ano.

Vale dizer que o custo alto não é abstração estatística. Ele aparece na fatura seguinte, encolhendo o valor que sobra para contas básicas.

O teto de 100%: o que a regra garante e o que ela não garante

A regra vem da Lei 14.690/2023, regulamentada pela Resolução CMN 5.112/2023 e fiscalizada pelo Banco Central. Ela vale para o rotativo e para o parcelamento do saldo devedor da fatura: a soma de juros e demais encargos financeiros não pode ultrapassar o valor original da dívida. Deve R$ 1.000 e não consegue pagar? O total cobrado não pode passar de R$ 2.000.

O teto é um limite de valor total, não de taxa. O banco pode cobrar uma taxa anual alta; o que ele não pode é fazer o total dos encargos passar do valor original da dívida.

Dois outros pontos evitam confusão. Migrar do rotativo para o parcelado não escapa do teto, porque a regra alcança as duas linhas. E a data de corte importa: o limite se aplica às dívidas do rotativo e do parcelamento da fatura a partir de janeiro de 2024, enquanto valores que já estavam em atraso antes disso seguem outro caminho de negociação.

Se você tem dúvida sobre a sua situação, a própria página de juros do cartão de crédito do Banco Central resume a regra e serve de referência para conversar com o banco.

O que conferir na fatura antes de pagar o mínimo

Antes de decidir entre pagar o mínimo, parcelar ou buscar um acordo, vale checar a fatura com calma. Comece pelo pagamento mínimo e pelo valor que sobra em rotativo: a diferença entre os dois é justamente o que vai render 444,9% ao ano. Depois, veja se o banco oferece parcelamento do saldo devedor e compare a taxa do parcelado com a do rotativo, porque esse é o primeiro corte racional da lista.

O passo seguinte é procurar o valor original da dívida e o total de encargos cobrados, que é onde você confere o teto de 100% na prática. Por fim, separe as compras parceladas que ainda estão em andamento: elas continuam na fatura e disputam espaço com a renda do próximo mês.

Um alerta importante: a inadimplência do rotativo do cartão subiu para 66,2% em agosto, contra 65,5% em julho, segundo o Banco Central. A maioria de quem entra no rotativo não consegue sair dele pagando só o mínimo, e adiar a decisão é a escolha mais cara da lista.

A ordem que funciona para sair do rotativo

Sair do rotativo é menos sobre cortar gasto e mais sobre trocar uma dívida caríssima por uma mais barata e previsível. A sequência que costuma funcionar tem quatro passos.

O primeiro é parar de usar o cartão para novas compras. Cada compra nova entra na mesma fatura e volta a alimentar o saldo que você está tentando zerar.

O segundo é comparar as saídas disponíveis: parcelamento da fatura, crédito consignado para quem tem margem, empréstimo com garantia ou um acordo direto com o banco. O critério é o menor custo total e uma parcela que caiba no orçamento sem virar atraso no mês seguinte.

O terceiro é negociar olhando o total. Pergunte o valor original, o total de encargos e o custo efetivo do acordo. Com o teto de 100% em vigor, esse detalhamento é uma âncora concreta de negociação.

O quarto é deixar o acordo registrado e pagar em dia. Um acordo cumprido é o que interrompe a bola de neve; um acordo furado costuma devolver a dívida ao patamar anterior.

O que acontece depois que a dívida do cartão é quitada

Quitar não resolve tudo de uma vez, mas muda o ponto de partida. A dívida deixa de crescer, a fatura volta a ser previsível e o orçamento recupera espaço. O nome sai da negativação e o score tende a reagir ao longo do tempo, com histórico de pagamento em dia. O importante é não deixar a dívida velha do cartão virar rotina, porque ela é a porta de entrada mais comum para o endividamento crônico.

Se a sua fatura já está no rotativo há meses, o melhor momento para agir é agora, enquanto o valor original ainda é a referência do teto e a dívida ainda cabe em um acordo.

Fontes

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